[Testemunho os restos mortais]
(Aglailson Di Almeida)
Testemunho os restos mortais
de um rio sob uma ponte esquecida…
Percebo vidas simplórias no acostamento da solidão.
...A carcaça da fome humana/animal exposta a olho nu.
Um gigante de pedra purulento de sequidão.
O deserto de estórias.
A aridez do abandono .
A oração repetida em vão.
A chuva que cai molha apenas os rostos velhos e sombrios.
Chuva ácida de lágrimas.
O pastor abandonou o rebanho daquelas bandas.
Sobrou areia e poeira…
Nada poético. Nada se salva.
O sertão nunca vai virar mar.
Não haverá mais lágrimas...
O sertão vai virar mar de sangue.
De esquecimento.
De fome!
A chaga aberta de um país.
Terra sem lei.
Uns deixam suas insânias na beira da estrada.
Dividem suas dores com mulheres encaliçadas
dos augúrios da vida!
outros vão dormir sem ter matado a sede
com água barrenta do conformismo.

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