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Mostrando postagens com o rótulo sendas

e:

nada é para sempre. tudo dura um momento - eis a grande verdade. (Tetê Macambira)

agente da paranoia

Entendo, sim, subir em patins com um taco de beisebol pelas madruguentas  ruas e bater em otários lesos. Entendo. Mesmo eu sendo um desses otários que quando é acertado, só tem um pensamento resignado de que chegou,  enfim!, a sua vez. Que a espera paranoica pela violência gratuita terminou finalmente. Que, finalmente, vai-se poder reclamar da beligerância, posando de vítima. Finalmente. Não importa que não se tenha ainda vinte e dois anos completos. A vida é curta nessas ruas. Pode vir. Bata forte até conseguir extrair uma expressão de.meus olhos vazios. Mesmo que, finalmente, seja a dor. Pelo menos, que se possa sentir a for. Finalmente,  algo.para.sentir  ( Tetê Macambira )

linguagens e pensamentos dadaístas

As folhas caem. O que foi? Não sei; não entendo súbitos outonos. O outono pede azuis e pretos.  Uma sensação de se estar inadequada neste mundo. "Me deixa ir,  minha gente, eu não sou daqui." Um bolo na garganta. A voz querendo arder. Treme. Telefone chama em outro tom. Tudo bem. Gaita sem blues em pleno Porangabuçu.  Madrugada ameaçando me tragar e eu nem aí. Sou toda manha reprimida contudo, não quero colo. Quero exercitar o meu pretenso charme . Mulher que enlouquece que fascina que atiça homem. Homens. Chuvinha miúda molhando sentimentos, secando olhos, prendendo nostalgias e definindo nadas - hoje e agora.  ( Tetê Macambira )

paradoxismo

esta cidade de chuvas  secando meu coração coração ressequido, lavrados olhos preparando solo cordis pelotiqueiro concentrizando saberes emoções dores o rubro ponto central  urbanamente molhado de mins ( Tetê Macambira )

Bel-prazer 01

Venho da rua quente  embora úmida  trago este calor em minha pele  o suor que goteja  ainda se lembra da quentura da rua  mesmo imerso agora  neste véu refrescante  graças ao santo fréon  (apologias, ozônio!) ( Tetê Macambira )

Bel-prazer 02

Lady Olga fazendo xixi placidamente no rio  Garças e urubus recebendo vísceras de peixes dos pescadores  Jarumã apita longa e surdamente; as pessoas acorrem  Almirante do Mar fuma escura e densamente  Fluvesia doce e morna de peixes e crustáceos. ( Tetê Macambira )

,verdade?: ...

que a verdade venha se desenhar nua por sobre minha pele, meu couro curtido que todos a possam ver - e apontar o polegar para cima (... - ou não.) mas que a verdade não floresça do meu coração que assim seria apenas uma verdade intrinsecamente minha - de mais ninguém que ela venha de fora, que ela seja um reflexo de um patchwork composto por mal-escritos (daqueles que são publicados em longínquas e pretensas paradisíacas lonjuras às quais só se vai em tempos de férias alegres) que a verdade seja a borra dos outros, a lama jogada dos outros , a "autenticidade" mal interpretada alheia e, assim.. ninguém poderá me culpar do erro de eu ter minha opinião própria.

mais amor desarmor

um guarda-roupa gigante no corredor da casa para três uma toalha bordada pela vó deixada na casa da amiga da amiga um cachorro de olhar doce e pelo acarinhante até o fim do mundo a resposta pronta de Elisa oferecendo coordenadas e abcissas a ausência e o silêncio de quem se diziam amig@s súbito reaparecimento de outras pessoas doloridas lágrimas amargas guardadas para o nunca mais acidente geográfico, pedra que se desprende de serras : matacão se (a/in)comodando no meu peito e o mundo sendo absorvido por olhos vazios macambiras abraçando-se a flores de lis; "valei-me, Deus" a perseguição  plástica tão repentina - sinais?!? (supersticionices) zygmunt ziggy zaz kuq e zi  rg: rg grotowski (mas laychel cita barthes - nada bate barthes) Jesus veio me pegar à porta, solícito. prima e bebezinha bebendo a noite marxista entre nacos de porco ao knorr - ou maggi rosângela... morena anjo e morena flor de quem arranquei a esforços um lépido sorriso prato contra pra...

claustro

estar entre paredes: infernos existenciais quebrar cama, remendar parede jogar um balde de tinta na parede quebrar parede eliminar a parede "na parte mais alta da parede" um fantasma amarelo me insoneia memórias do que seria e não será o velho cansaço das lágrimas a dor e a culpa e o ressentimento : tudo. - e nada. uma fresta uma brecha uma escapatória "posso dormir na tua casa?" treze e trezes alcoolizados na cozinha sem fogão, ela fechou um fino enquanto a mãe lhe cortava pedaços de rapadura - não tinha mais café (sem fogão) "isso me lembra a caça a caça às borboletas" as cortinas abriram-se mas ninguém saiu de cena e a displasia machuca mamas pesadas saída de emergência bombeiros "viver é perigoso", é danoso o livro amarrotado na fila de espera o livro esquecido por entre outros livros o(s) livro(s) ainda não escrito(s) / inconcluso(s) ; poesias circunstanciais entreabrindo-se às ruas soturnas e úmida...

"estrada afora"

seguir caminhos traçados por outros uma parada, um canto de sossego um pôr-do-sol matizando-se em cores outonais (mas já não estamos no verão?!) meus óculos quebrados de vez instinto guiando foco da câmera luz calor tons - um aparente infinito e temos que seguir a estrada "para ver onde é que vai dar" vou... mas no pensamento, querendo voltar que tudo que conheço ficando para trás que tudo que imaginava conhecer para trás que tudo que ousava imaginar conhecer... atrás. Seguir a estrada - esperando o lobo mau não quero hoje ser uma caçadora - mas a caça "Pera estrada afora, eu vou bem sozinha."

essas ideias que não levam a nada

acordar cedo sem necessidade desjejuar sem fome nenhuma assistir à TV sem ver o que está passando repensar os  afazeres do dia (desejando nada a fazer) pés  frios a violência expressa pela tela onipresente  me diz nada: cinemices bom fixar em casa o próprio corpo nu uma gravata  de crochê cor de vinho preguiça de barbeador e do mais geladeira vazia reclama-me ao mercado espreguiçar não transporta ninguém e....? essas ideias niilistas esses existencialismos absurdos esses ....