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claustro





estar entre paredes: infernos existenciais
quebrar cama, remendar parede
jogar um balde de tinta na parede
quebrar parede eliminar a parede
"na parte mais alta da parede"
um fantasma amarelo me insoneia
memórias do que seria e não será
o velho cansaço das lágrimas
a dor e a culpa e o ressentimento
: tudo.

- e nada.

uma fresta uma brecha uma escapatória
"posso dormir na tua casa?"
treze e trezes alcoolizados
na cozinha sem fogão, ela fechou um fino
enquanto a mãe lhe cortava pedaços de rapadura
- não tinha mais café (sem fogão)
"isso me lembra a caça a caça às borboletas"
as cortinas abriram-se
mas ninguém saiu de cena
e a displasia machuca mamas pesadas


saída de emergência bombeiros
"viver é perigoso", é danoso
o livro amarrotado na fila de espera
o livro esquecido por entre outros livros
o(s) livro(s) ainda não escrito(s) / inconcluso(s)
; poesias circunstanciais entreabrindo-se
às ruas soturnas e úmidas e densas do Norte

"Eu preciso te sacrificar. (... ) Alguém precisa ser sacrificado."
"Por que não eu?"} retalhos da residualidade não ficcional
atropelando-se em vermelhos e verdes na parede
é inteligente manter tanta dor? (há como pará-la!?)
sexta-feira eu irei lá, mesmo que não mais esteja.

- qualquer coisa para sair desta claustrofobia paredal.


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