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As paralelas cruzam-se no infinito - Tetê Macambira

As paralelas cruzam-se no infinito
A T.

as paralelas  cruzam-se no infinito - dizem;
quem sabe nossos caminhos se cruzem.
meteoros poéticos de leve se rebatem,
sonhos defenestrados com desdém,
cismas desenfreadas não se retêm.
paraísos perdidos não cantados por Milton.


perdida nesses solfejos roucos de meios-tons.
perdida nesses versos loucos de meios-sons.
perdida nessas lides rotineiras sem dons.
Camus não me apazigua, não me pacifica.
Eisner me bouleversa, me transversa diversa.
Jean-Michel Adam me aborrece adormece.


E a solidez do pão, um súbito sensaborismo
em contraste preto e branco de pouco antes;
um pão líquido tão de Bauman e tão cult!
(ironias e sarcasmos à parte, só asteísmos)
um pão de se preencher vazios além estruturas
um pão de se preencher sentidos apóstatas.


Retomar transcursos  decursos percursos:
o avião por cima “me dá lições de partir”.
Levificar. Nem nuvem nem pena - aeróstato.
Por trás o olhar traz e trai contristação sem-fim.
Hesitações em gestar o inopinado - ignoto.
Recolher versos. Sedeirar caracteres.
Trancafiar sementes.
Prosseguir-se no se ir.


(Tetê Macambira, 19/8/15 - 15h41)

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