Sempre que falo que fui criada com Minha Vó, é claaaaro que as pessoas visualizam uma senhorinha baixotinha, fofinha, risonha, com dotes culinários de nível avaçado a fazer inveja a qualquer masterchief e mestra nas linhas e agulhas. É claaaaro. Bem... na verdade, embora Minha Vó ticasse nas prendas domésticas e fosse baixinha, com 1m49, calçando sapatos de ridícula numeração 33; calmaria e tranquilidade não rimavam com ela. Sessões de chineladas foram frequentes. Horas de reclamações e ofensas, idem. Traumatizada até hoje por ela ter me "ensinado" tabuada com uma palmatória improvisada: as costas da escova de lixo, que era de madeira. Criei pavor de números. Humilhação verbal pública também estava na lista; ela se comprazia em me desmerecer para os outros, na minha frente. Mas não pensem, não mesmo!, que ela não me amava. Ela era apaixonada por mim, minha fã. E - pasmem! - minha defensora. Acontece que era o que ela tinha aprendido, era - na verdade - uma versão light do qu...
experimentos da palavra: poesias, minicontos, teXtículos afins & imagens autorais (a maioria).